sexta-feira, 1 de julho de 2011

P-56, um investimento de US$ 1,5 bilhão, deixa Angra dos Reis e vai para Bacia de Campos

Com capacidade para processar 100 mil barris de petróleo e comprimir 6 milhões de m³ de gás por dia, plataforma vai operar no campo de Marlim Sul

A plataforma P-56 deixou na quarta-feira (29/06) a Enseada do Bananal, na Baía da Ilha Grande, em Angra dos Reis, rumo à locação no Campo de Marlim Sul, na Bacia de Campos (RJ). A previsão de chegada é a próxima terça-feira (05/07) e o início da produção está previsto para agosto. A P-56 é um investimento de aproximadamente US$ 1,5 bilhão e sua construção gerou 4 mil empregos diretos e 12 mil indiretos no país. A unidade foi liberada para o campo após uma série de testes.
A P-56 foi batizada pela deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) no último dia 6, no estaleiro Brasfels, em Angra dos Reis (RJ), em cerimônia com a presença da presidenta da República, Dilma Rousseff. Será a quinta plataforma na região de Marlim Sul. Do tipo semissubmersível, ficará ancorada em área com profundidade de 1.670 metros, interligada a 21 poços, dos quais 10 serão produtores de petróleo e 11 injetores de água. Idêntica à plataforma P-51, a nova unidade de produção integra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e é considerada um marco na indústria naval brasileira, uma vez que consolida a capacidade do país de construir plataformas desse porte em seu território.
A construção da P-56 alcançou o conteúdo nacional de 72,9% relativo ao topside (módulos integrados), e teve seu casco totalmente construído no Brasil, demonstrando o fortalecimento da indústria local a partir das encomendas da Petrobras.
O contrato de construção da plataforma foi assinado em outubro de 2007 entre a Petrobras e o FSTP, consórcio integrado pelas empresas Keppel FELS e Technip. Construída de forma modular, a P-56 é composta pelo deckbox (base do convés), casco e módulos.  A empresa Kepppel FELS construiu, no estaleiro BrasFELS, os quatro módulos de processos e de utilidades. Já os dois módulos de geração foram feitos pela Rolls Royce, em parceria com a UTC Engenharia, no canteiro desta empresa, em Niterói. A Nuovo Pignone (General Eletric) fez os dois módulos de compressão no canteiro Porto Novo Rio, no Rio de Janeiro (RJ).  O deckbox também foi construído no BrasFELS, onde foi feita a integração dos módulos.

O casco da nova plataforma é 100% brasileiro. Construído no estaleiro BrasFELS, resultou da união dos blocos de aço fabricados pelo estaleiro e pela Nuclep, em Itaguaí. A união do casco com o topside, processo chamado de deck mating, uma das atividades mais complexas, ocorreu sem qualquer imprevisto, em outubro de 2010.

Dados da P-56

Localização: Campo de Marlim Sul, a 120 km da costa;
Produção de petróleo: 100 mil barris de petróleo por dia;
Compressão de gás: 6 milhões de m3 por dia;
Geração elétrica: 100 MW;
Profundidade de ancoragem: 1.670 m;
Comprimento: 125 m, largura 110 m e altura 137m;
Acomodações: 200 pessoas;
Peso Total: 54.658 ton;
Poços produtores: 10;
Poços injetores:11;
Risers: 79;
Escoamento de petróleo: oleoduto p/ P-38 (aprox. 20 km);
Escoamento de gás natural: gasoduto p/ P-51 (aprox.15 km)

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Para ex-ministro da Justiça, Battisti não passa de ‘bode expiatório’

16/6/2011 12:03, Por Marco Aurélio Weissheimer, Carta Maior - de Porto Alegre

O governador Tarso Genro diz que houve manipulação da mídia no caso Battisti

Ex-ministro da Justiça do governo Lula e atual governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT) fez uma avaliação sobre o desfecho e o significado do caso Battisti. Para Tarso, que concedeu refúgio político ao italiano, esse caso é “o maior exemplo de manipulação midiática que ocorreu no Brasil nos últimos tempos”. O governador gaúcho também relaciona o caso à atual situação política na Itália e sustenta que Battisti acabou servindo de bode expiatório de uma aliança entre a extrema-direita italiana, a direita não democrática e a antiga esquerda italiana que “não só ficou isolada durante o reinado de Berlusconi, como também capitulou ideologicamente em questões de fundo”. A entrevista foi concedida ao jornalista Marco Aurélio Weissheimer, da agência brasileira de notícias Carta Maior.

Genro estava na Espanha quando o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, na semana passada, rejeitar a reivindicação da Itália contra a decisão do ex-presidente Lula, que se negou a extraditar o italiano Cesare Battisti. Como ministro da Justiça do governo Lula, Tarso Genro concedeu refúgio político a Battisti por entender, entre outras coisas, que ele era acusado de crimes de natureza política e que não existiam provas consistentes de que ele cometera os assassinatos dos quais é acusado. Na entrevista, Genro faz uma avaliação do caso Battisti e dispara: “esse é o maior exemplo de manipulação midiática que ocorreu no Brasil nos últimos tempos”.

O governador gaúcho também relaciona o caso à atual situação política na Itália e sustenta que Battisti acabou servindo de bode expiatório. “Battisti foi escolhido para ser um bode expiatório da extrema-direita italiana, da direita não democrática e dos partidos da antiga esquerda italiana que não só, ficaram isolados politicamente durante o reinado de Berlusconi, como também capitularam em termos ideológicos em questões de fundo”.

– A grande síntese deste processo foi feita pelo ministro da Defesa da Itália que, olhando o Brasil como uma colônia, disse que nosso país era muito bom em bailarinas, mas não em juristas – acrescenta.

Leia agora os principais trechos da entrevista:

– Qual sua avaliação sobre o desfecho do caso Battisti?

– Em primeiro lugar gostaria de salientar, como tenho feito de maneira reiterada, que o caso Battisti é o maior exemplo de manipulação midiática da informação que ocorreu no Brasil nos últimos tempos. Digo isso por vários motivos. Primeiro, porque jamais se informou que o Supremo Tribunal Federal já tinha tomado posição em caso semelhante, concedendo refúgio. Em segundo lugar, não se informou que o Supremo, por decisões que foram tomadas no curso do processo de deferimento do refúgio, tinha violado diretamente texto de lei. A lei que regula o refúgio no Brasil é expressa: quando é concedido o refúgio, interrompe-se o processo de extradição. Em terceiro, não se informou – pelo contrário, desinformou-se – que o conteúdo do processo não revela nenhuma prova contra Battisti. Não há nenhuma prova testemunhal e nenhuma prova pericial de algum assassinato que ele tenha cometido. Em quarto lugar, omitiu-se, também de maneira sistemática, que Battisti foi considerado refugiado político durante onze anos na França, um país maduro democraticamente e que tem um Estado de Direito respeitado em todo o mundo.

Portanto, a decisão que foi tomada pelo Supremo Tribunal Federal repõe três questões fundamentais. Em primeiro lugar, o elemento central da soberania do país para tomar decisões como esta. Em segundo, consagra a posição totalmente adequada à nossa Constituição, segundo a qual a última palavra sobre refúgio é do presidente da República. E, em terceiro, a mais importante delas, reconhece no Battisti uma pessoa que foi acusada de ser um criminoso político e não um criminoso comum. Assim, a decisão do Supremo merece ser respeitada e festejada. Isso não quer dizer que eu tenha qualquer reivindicação de saber jurídico para meu despacho (como ministro da Justiça) e nem que eu despreze os argumentos do ministro Pelluzzo e do ministro Gilmar Mendes, que tiveram uma posição diferente. Mas quer dizer sim que a maioria do Supremo esteve de acordo com o conteúdo do referido despacho e com a decisão do presidente da República.

– O governo italiano ameaçou remeter o caso para o Tribunal de Haia. Na sua avaliação, há alguma possibilidade dessa ameaça prosperar?

– Trata-se mais de uma manobra política de um governo decadente que já está sendo derrotado nas eleições de seu país e nos referendos que ocorreram neste final de semana. É um governo composto pela centro-direita e pela extrema-direita mais atrasada na cultura política italiana e que tenta, na verdade, provocar contradições fora do país para tentar compensar seu desgaste interno. Portanto, isso não tem nenhum sentido e nenhum apoio na sistemática do direito internacional e não terá o respeito de nenhum jurista seja daqui, seja de fora do país.

– Houve uma coincidência entre a decisão do Supremo e as derrotas eleitorais do governo Berlusconi. O caso Battisti teve uma grande repercussão midiática na Itália e foi muito explorado politicamente pelo governo. Mas não parece ter ajudado muito Berlusconi. O que essas mudanças políticas que começam a emergir das urnas italianas sinalizam?

– O Battisti, na verdade, foi escolhido para ser um bode expiatório da extrema-direita italiana, da direita italiana não democrática e dos partidos da antiga esquerda italiana que não só ficaram isolados politicamente durante o reinado de Berlusconi, como também capitularam em termos ideológicos em questões de fundo da democracia italiana. Battisti serviu de elo entre um conjunto de facções políticas na Itália, apelando de maneira reiterada para questões reais que a Itália viveu naquela época, ou seja, desencadeamento de ações terroristas, de ações que culminaram com o assassinato do presidente Aldo Moro, e que tiveram um grande respaldo de estruturas subversivas secretas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) naquela oportunidade. Essas forças não reagiram contra isso porque precisavam justificar-se perante a opinião pública e preferiram escolher uma pessoa para apresentar em sacrifício e tentar satisfazer uma merecida tensão, angústia e revolta de grande parte da sociedade italiana contra aqueles atos terroristas.

Isso foi feito de maneira articulada. O antigo reformismo italiano, que hoje virou um partido centrista conivente com o governo Berlusconi, apoiou essa campanha e não teve coragem de fazer um enfrentamento ideológico. Battisti foi escolhido a dedo para isso. Com a mudança política que ocorreu na França (derrota dos socialistas), ele perdeu a condição de refugiado e começou a aparecer como um elo de satisfação para purgar a terrível memória daqueles anos onde vários setores da extrema esquerda e também da extrema direita cometeram atos bárbaros. Só que a síntese eles tentaram fazer, através do caso Battisti, foi uma síntese para abater e atacar exclusivamente a esquerda, para desmoralizar tudo que restava de pensamento transformador na democracia italiana. Portanto, o uso de Battisti foi conveniente para a antiga esquerda italiana, para a direita autoritária e para a extrema-direita. A grande síntese deste processo foi feita pelo ministro da Defesa da Itália que, olhando o Brasil como uma colônia, disse que nosso país era muito bom em bailarinas, mas não em juristas.

– Considerando as derrotas recentes de Berlusconi e a desagregação da antiga esquerda, pode-se ver, no cenário político italiano o surgimento de novas forças políticas mais à esquerda?

– Houve uma mudança significativa na política italiana nos últimos sessenta dias. Primeiro, cabe destacar a vitória de uma esquerda alternativa em Nápoles e em Milão. Segundo, uma vitória da oposição contra Berlusconi em assuntos extremamente importantes que ele submeteu a referendo. O grande problema para a continuidade desse processo de reabertura política na Itália é a ausência de propostas. O Partido Democrático italiano foi para o centro, não fez nenhuma disputa ideológica com Berlusconi e tratou a questão da integração da Itália à União Europeia apenas a partir de um critério de mais liberalismo ou menos liberalismo. Não apresentou nenhuma alternativa à forma de organização da economia, à forma da integração da Itália na Europa e não apresentou nenhuma resposta aos movimentos sociais fragmentados que foram surgindo de maneira acelerada.

Penso que precisaremos esperar ainda um pouco até que surja uma esquerda italiana que seja democrática, que não se submeta aos fetiches ideológicos promovidos pela grande mídia e pela extrema-direita e que tenha uma visão consistente de como integrar democraticamente a Itália na Europa. Acho que esse processo já começou, mas a oposição representada pelo Partido Democrático, que hoje é um partido centrista, não teve capacidade nem coragem política de apresentar uma proposta alternativa ao que significou o reinado de Berlusconi neste período.

– Se, na Itália, a direita está sendo derrotada, na Espanha e em Portugal, os partidos de direita obtiveram recentemente vitórias expressivas. Na França, há a possibilidade de que a extrema-direita dispute o segundo turno das eleições presidenciais. Por outro lado, na Espanha, na Grécia e em outros países, vemos grandes mobilizações de rua, reunindo fundamentalmente jovens que não são ligados a nenhum partido. Na sua avaliação, para onde este cenário aponta do ponto de vista político?

– O processo de integração europeu é ambíguo. De uma parte, ele gerou condições para que os países se modernizassem em termos industriais e sociais, consolidando democracias estáveis. Essa foi a grande vantagem da integração europeia. Só que as negociações que levaram à essa integração não constituíram salvaguardas alternativas para estabelecer um verdadeiro equilíbrio entre a integração da Europa do capital e da Europa social. Hoje, a grande cobrança que é feita sobre esses países mais débeis economicamente é que eles se adequem ao processo de integração que é comandado pela Alemanha, pelo Banco Central europeu e agora pelo FMI. A integração europeia ainda é um processo em curso, que atravessará uma longa tormenta a partir de agora. E essa longa tormenta irá revelar a existência de movimentos sociais, de movimentos sindicais, de movimentos da intelectualidade que refletirão nos partidos democráticos formando alas de esquerda em suas fileiras, podendo, mais tarde, até dar origem a novas organizações.

Não creio que os partidos socialistas atuais tenham elaborado suficientemente uma estratégia para sair dessa armadilha em que eles se meteram, a armadilha do déficit máximo de 3%. Eles estão atados a uma concepção economicista da União Europeia, onde o equilíbrio financeiro se superpõe ao equilíbrio social. Não há um pacto de transição de médio ou de longo curso para que esses países permaneçam integrados na União Europeia e capazes de manter as instituições básicas de um Estado de Bem Estar. O que ocorre na Grécia, na Espanha, em Portugal e na periferia de Paris indica que teremos um período de perturbações sociais graves. Se a Europa “economicista” ceder é possível que se reajuste o pacto europeu. Se não, ele pode se fragmentar a partir de sucessivas rebeliões dos “de baixo”. É bom lembrar que, nestes países, não estamos falando de populações miseráveis, mas de trabalhadores que já provaram condições de bem estar e que dificilmente renunciarão a elas apenas pelo convencimento.

– Na sua opinião, esse receituário “economicista” dominante na Europa hoje pode desembarcar na América Latina e, em especial no Brasil, em caso de agravamento da crise econômica nos países do centro do capitalismo, especialmente nos Estados Unidos?

– Creio que o Brasil tem condições especiais para enfrentar esse processo por alguns fatores naturais, como a possibilidade de expansão da fronteira agrícola, o relacionamento equilibrado com a América Latina por meio de políticas que o governo Lula desenvolveu estabelecendo relações de igualdade com países desiguais economicamente, e um mercado interno em expansão. Além disso, nosso país tem a capacidade de combinar um desenvolvimento industrial e técnico tradicional, com utilização intensiva de mão de obra, com um desenvolvimento tecnológico de alto nível, com capacidade competitiva no mercado global.

Estas condições retiram o Brasil da situação de um dilema trágico, de aderir ao neoliberalismo ou continuar crescendo com políticas sociais. Essa, na minha opinião, foi a grande conquista do governo Lula: fez uma transição sem ruptura, onde a ruptura era absolutamente impossível, colocando a questão do desenvolvimento como base para a criação de novos sujeitos sociais que não aceitam mais regredir, que querem mais, que pedirão mais para o Estado, mais escolas, mais educação, mais saúde. E isso só pode ser mantido com crescimento. Então, penso que o Brasil tem condições, sim, de sair desse impasse e, consequentemente, a América Latina também. Isso vai depender, obviamente, dos governos que tivermos daqui para frente. Se tivermos governos que sigam nesta trajetória iniciada pelo governo Lula e que está sendo prosseguida pela presidenta Dilma, acho que o Brasil não cai nesta armadilha e pode, em dez ou quinze anos, um país com muito mais influência que hoje no contexto mundial.

Preços registram deflação em grandes centros urbanos pela primeira vez em 2011

17/6/2011

A deflação ocorre com a variação negativa dos preços

O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) diminuiu nas sete capitais pesquisadas pela Fundação Getulio Vargas (FGV) em 15 de junho, em relação à semana anterior. É a terceira semana consecutiva em que ocorre queda no índice nas sete cidades. A maior queda foi observada em Porto Alegre, já que a cidade passou de uma inflação (alta de preços) de 0,12% em 7 de junho para uma deflação (queda de preços) de 0,35% no dia 15 (ou seja, uma redução de 0,47 ponto percentual.

A cidade de São Paulo também apresentou grande redução no IPC-S, ao passar de uma inflação de 0,27% no dia 7 para uma deflação de 0,15% no dia 15 (ou seja, uma queda de 0,42 ponto percentual). Outras grandes reduções do IPC-S foram percebidas nas cidade de Salvador (0,34 ponto percentual, ao passar de 0,33% para –0,01% no período) e Belo Horizonte (0,34 ponto percentual, ao passar de 0,72% para 0,38%).

As demais cidades apresentaram as seguintes variações no IPC-S: Rio de Janeiro (0,26 ponto percentual, ao passar de 0,32% para 0,06%), Recife (0,15 ponto percentual, ao passar de 0,88% para 0,73%) e Brasília (0,08 ponto percentual, ao passar de 0,34% para 0,26%).

Índice em queda

O Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) teve deflação de 0,22% em junho. O resultado é inferior ao observado um mês antes, quando foi registrada elevação de 0,55%. No ano, o índice acumula alta de 3,28% e no período de 12 meses, o aumento acumulado chega a 8,78%.

De acordo com os dados divulgados pela Fundação Getulio Vargas (FGV), nesta sexta-feira, a queda no IGP-10 foi puxada pelo Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA). O indicador, responsável por 60% da taxa global, apresentou deflação de 0,69% em junho, depois de registrar alta de 0,23% em maio. Houve decréscimo nas taxas dos alimentos in natura (de 3,82% para -4,47%); e dos bens intermediários (de 0,90% para -0,74%), como materiais e componentes para a manufatura (de 1,19% para -1,16%). Também ficaram mais baratas no período as matérias-primas brutas (de – 0,52% para -0,64%), com destaque para a cana-de-açúcar (de 11,17% para -0,14%), o milho em grão (de 0,50% para -2,45%) e suínos (de 2,96% para -9,33%).

A FGV verificou redução, ainda, no Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa 30% do IGP-10 (de 0,98% para 0,10%). Esse movimento foi observado em todas sete classes de despesa componentes do IPC, principalmente em alimentação (de 1,04% para -0,37%) e transportes (de 1,74% para -0,79%). Pesaram menos no bolso do consumidor as hortaliças e os legumes (de 4,75% para -0,86%), as frutas (de -0,56% para -4,71%) e os pescados frescos (de 0,98% para -3,02%). Também ficaram mais baratos a gasolina (de 5,61% para -1,92%) e o álcool combustível (de 3,67% para -14,45%).

Também apresentaram decréscimo em suas taxas de variação os grupos: vestuário (de 1,51% para 0,45%), saúde e cuidados pessoais (de 1,13% para 0,54%), despesas diversas (de 0,73% para 0,17%), educação, leitura e recreação (de 0,36% para 0,30%) e habitação (de 0,68% para 0,66%).

Último componente do IGP-10, o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) foi o único a subir em junho, passando de 1,57% em maio para 2,18%. A alta foi puxada pelo custo da mão de obra (de 2,74% para 3,98%). Houve diminuição nas taxas relativas aos materiais e equipamentos (de 0,45% para 0,42%) e serviços (de 0,52% para 0,45%). O INCC responde por 10% da taxa global.

Para calcular o IGP-10, a FGV coletou preços entre os dias 11 de maio e 10 de junho, quando consatatou a deflação em determinados preços.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Direito de Manifestação versos Livre Exercício de Mandato Eletivo

Acompanhamos nestes últimos dias muitas manifestações populares no mundo e no Brasil afora. No oriente médio, manifestações pedindo democracia e o fim das ditaduras, no Brasil: greves, passeatas em apoio a descriminalização da 'cannabis sativa' e aqui, particularmente no RN, temos greves contra os governos municipais e o estadual. Mas, prefiro me concentrar agora num protesto diferente que ocorre em Natal-RN.

Manifestantes se encontram acampados dentro das instalações da Câmara Municipal do Natal (CMN) exigindo a indicação de pelo menos um vereador da oposição na mesa diretora da Comissão que investigará os contratos de aluguéis da prefeitura. O movimento #foramicarla, que se iniciou no Twitter, ganhou força e transcedeu o campo virtual e adentrou as portas da CMN.

A prefeita alega ser eleita pelo povo, e portanto digna do cumprimento integral de seu mandato eletivo - o que de certa feita ser verdade. Ela se elegeu pelo voto popular, num processo "democrático", acredito eu. Ela, penso eu, deve achar que está realizando um bom trabalho e que poderá fazer muito mais no tempo que lhe resta. Ela também, bem sabe, que sua saída antes do final do mandato seria o fim da sua carreira política, ainda no início. Com razão temos que escutar e entender suas razões e motivos e alegações.

Do outro lado estão os manifestantes, que não necessariamente representam a maioria da população, e portanto: devemos tomar todo o contexto social atual para tentar entender se isso parte da vontade da maioria do povo, ou se se trata de uma minoria manobrada pela oposição. Diria que trata-se da vontade da maioria, pois as pesquisas apontam para uma desaprovação quanto a gestão atual de Micarla. Calejados que somos pela classe política estadual e brasileira, diriamos que agora o grupo político da prefeita tenta desmantelar o movimento e a repercução na imprensa desses fatos para que acreditando cair isso no esquecimento, possam não esclarecer nada! E se existem irregularidades nos contratos da atual gestão - e quem sabe lá as anteriores?! Que nada seja desvendado. Ninguém gosta de ser investigado, ninguém quer na sua gestão polémicas.

Mas quem está certo? O povo que agora pede a investigação e renúncia (por má gestão municipal) ou o povo que a elegeu no pleito de 2008? O que o Direito diz? O que é justo? O que é ético?


Vou começar a me expressar pela ética. A política não é ética, não é religiosa, não é moralista, não é nada - é simplesmente POLÍTICA! Conflito de diversos interesses, inclusive pessoais dos envolvidos. Mas a gestão pública é ética. Deve-se existir eticidade, e o gestor público, como primeiro funcionário do povo, deve ser o mais transparente de todos. Mandar investigar os contratos é ético, permitir que a oposição participe da mesa diretora é um ato político, e como tal deve ser disputado no campo da política, o que justamente os estudantes (manifestantes) estão fazendo.


O que é justo? Justiça não existe em sua perfeição na nossa sociedade. Discutir o que é justo, seria mais fácil identificar o que não está sendo justo. Não é justo, o povo escolher seu representante e este imaginar que tem uma carta branca para fazer o que bem entender durante os próximos quatro anos - isso não é justo! Se eu contrato uma pessoa para trabalhar comigo, espero a qualquer tempo, ter o direito de exonerá-lo da função por incapacidade ou improbidade. Argumentar que o povo a elegeu, e ela tem que sair somente no final do mandato é cuspir na nossa inteligência.


O que diz o Direito? O direito não diz nada. Podemos encontrar argumentos tanto para um lado quanto para o outro, a depender de quem seja, da situação e do apoio popular ou das elites. Uma mesma situação é tratada de uma forma agora e depois ser tratada de forma diversa. A marcha da macônha sempre foi proibida no Brasil, e ninguém se manifestava para mudar isso, ou pediu ao STF que o reconhece-se: o direito de livre pensamento; pois o grupo político daquela época não se interessava e não queria. Agora mudou, e depois pode mudar novamente. A lei sempre foi um instrumento de dominação, sempre foi dúbia para que possa continuamente beneficiar os interesses das elites.


Mas quem está certo? O povo que agora pede a investigação e renúncia (por má gestão municipal) ou o povo que a elegeu no pleito de 2008? Respondo, o povo está certo. Estão decidindo sobre seus interesses que são maiores do que os interesses da excelentíssima prefeita. Se antes eles a elegeram, agora querem fora. Nada mais natural. Não se tem o costume de fazê-lo porque não temos um instrumento democrático e direto de manifestação, como um plebicito no meio do mandato ou a qualquer tempo.

Caríssima Prefeita Micarla Sousa, o povo pede sua carta de desligamento. Para benefício próprio de não passar por um constrangimento.

Claro que tal fato, é muito improvável, mas chegará o tempo onde teremos uma população politizada, que fará valer seus interesses em dentrimento das elites.