Mostrando postagens com marcador ateísmo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ateísmo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Reflexão sobre Deus e o ateísmo

Passei a minha vida sendo cristão educado dentro da cultura cristã adventista nunca imaginei que houvesse possibilidade de ocorrer uma mudança tão drástica de pensamento e passar a ser ateu ou agnóstico. Mas como já ouvi uma vez numa palestra, a única certeza que nós temos é a mutabilidade. Pois bem, quero aqui fazer uma reflexão sobre essas mudanças de pensamento de como pensava antes e de como vejo sobre outro aspecto o mesmo objeto.



Nossa visão sempre é muito estreita e somente quando se dar a oportunidade de ler ou ouvir outras opiniões religiosas, doutrinárias, culturais e reflexivas sobre a vida e que podemos crescer nem que seja nos princípios que já cremos ou mudarmos completamente como ocorreu comigo. Sempre fui muito permissivo neste sentido, como tinha supostamente certeza das minhas convicções eu nunca me neguei ler, ouvir, assistir sobre qualquer assunto que me apresentassem. O que de certa forma já era um pensamento progressista, pois se tivesse a cabeça serrada para outras opiniões como eu poderia me dizer livre e aberto ao diálogo. Mas é comum no meio evangélico e católico pessoas que além de acharem estar corretos, e donos da verdade, dizem que não querem ouvir nem ler nada que não seja concordando com aquilo que crêem. Não passa esse pensamento de uma forma de dominação psicológica dos padres e pastores, que por medo de perder seus fieis os infligem sempre a opinião de que seria perda de tempo e que tal posição desagradaria a Deus.


A religião nos vende a idéia que somente se estivermos com Deus, Ele preenchendo o você e o vazio que existe dentro do homem é que seremos felizes e que assim teremos vida plena aqui e esperança no futuro. Passa sempre a idéia de que felicidade só existe assim. Um dos traumas mais duros de enfrentar é este. Pois quando se começa a fazer perguntas e essas perguntas não tem respostas dentro da bíblia ou das religiões ou livros sagrados é: e agora, se não existe Deus, ou pelo menos não tenho certeza de sua existência, em que creio, que tipo de base de esperança terei daqui para frente? São perguntas e questionamentos que nos deixam inquietos por um momento, mas que logo vem outras perspectivas.


Nos não temos vazio algum que tem que ser preenchido por algo superior. Isso nos é colocado de garganta abaixo psicologicamente, como por uma lavagem cerebral. O fato de não crer numa vida futura não afasta de mim o propósito de ser e continuar sendo feliz na vida presente, muito pelo contrário, agora sim valorizo mais o presente e não admitirei a infelicidade e a injustiça e as desculpas que os religiosos usam de que se hoje sou infeliz ou estou sobre injustiça que aguarde pois no futuro depois da morte serei recompensado.


Abre-se uma cortina também quanto a enxergar o contexto social justificado pelo misticismo que existe nos países de terceiro mundo. Milhões de pessoas que estão abaixo da linha da pobreza e que são dominados e permanecem assim na esperança de uma recompensa futura que nunca virá e que somente serve a propósitos de continuidade das barbáries atuais, os ricos sempre mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.


Existe muito preconceito e má interpretação quanto ao ateísmo e ou ao agnosticismo. As pessoas costumam pensar que os ateus são maus ou que não tem sentimentos bons, ou que são revoltados e por isso se dizem ateus. Quando na verdade não passei por nenhuma dessas etapas e apenas fiz algumas perguntas, tipo: se Deus criou o homem quem criou os dinossauros? Se Deus criou os dinossauros, quando os criou e que propósito criou, e por que até a ciência provar sua existência a religião não se manifestara nesse respeito? Quem criou o mau? Se Deus é criador de tudo então Ele criou o mau? Se Ele não criou o mau, então existe outro deus que criou o mau? Antes do mau existir Deus já conhecia o mau? Então Ele projetara o mau? Uma das provas mais firmes de que a religião é uma criação humana é ao se acompanhar as tribos mais afastadas da civilização, onde nas tribos se desenvolve os mesmos passos de dominação pela religião e misticismo. Ele criam seus deuses, seus dogmas, suas crenças e estórias, toda uma repetição de tudo em qualquer cultura como naturalmente a mente humana faz.


Não existe hoje da minha parte qualquer preconceito ou insulto a figura divina ou as pessoas que freqüentam cultos e são fieis participantes. Não as enxergo de forma menor, mas apenas as vejo como um estágio. Há pessoas que querem ir mais longe independente se este longe signifique mudar toda sua concepção de vida, valores, etc.. Outras preferem ir até um certo ponto e permanecer crendo em alguma coisa, até para não perder a esperança de uma vida além daqui, já que nossa vida é muito rápida e trabalhosa.


Mas de uma coisa posso lhe afirmar: não aceite tudo de garganta abaixo sem questionar! Pergunte-se sobre os reais propósitos, se existe dinheiro envolvido, se existe interesses pessoais, se aquela pessoa não está apenas repetindo o que já recebeu de outro sem questionar, e assim por diante. Se nossa sociedade tivesse um espírito mais questionador não teríamos tantas diferenças e injustiças. A luta social é a única coisa certa hoje para mim, o homem sempre esteve pretendendo dominar seus pares, desde a formação das tribos e das comunidades. Isso é o egoísmo, o homem é assim – egoísta por natureza! É como se ele fosse o senso de sobrevivência que não permitiu sua extinção e que hoje trabalha, na sociedade moderna, como um gerador de conflitos.


Não me considero ateu, não me considero cristão, não me considero religioso, só sei que não existe respostas. Hoje estou mais para agnóstico, mas como falei no inicio: a mutabilidade é a única certeza que nós temos.